João Rieth Arquitetura e Design

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NOVAS METODOLOGIAS DO CURSO SUPERIOR DE DESIGN


Design & Novos Paradigmas: Novas metodologias do Curso Superior em Design e a Indústria no Sul de SC Em 2010, a Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC, contando atualmente com 13.000 alunos, decidiu aprovar o Curso de Design com Habilitação em Projeto de Produtos, com duração de 4 anos. Por sugestão dos coordenadores dos cursos de Arquitetura e Engenharia de Materiais, foram identificadas lacunas em suas grades curriculares e também demandas não atendidas, vindas do próprio mercado, em termos de qualificação profissional. A região Sul Catarinense possui uma economia diversificada, fortemente baseada na produção industrial, onde seus ciclos econômicos se iniciaram há quase dois séculos. A diversificação é uma característica do Estado de Santa Catarina, com empresas de micro, pequeno, médio e grande porte, nos mais variados segmentos. Coincidentemente, é também o segundo Estado no país com o maior número de Cursos de Design, sejam eles no nível técnico ou cursos superiores, em faculdades ou universidades públicas ou privadas. No caso da UNESC, a principal motivação para promover a formação de profissionais qualificados e habilitados para a concepção de novos produtos é justamente focar na inovação tecnológica e na aproximação com indústrias regionais dispostas a participar dos processos didáticos do Curso, incentivando a pesquisa aplicada como diferencial competitivo. Esta estratégia, desenvolvida em todas as disciplinas projetuais de sua grade curricular, promove a experimentação teórico-prática onde as empresas favorecem o campo da investigação de novos produtos, a partir de suas problemáticas reais. Esta metodologia de trabalho é consequência da experiência prévia de um dos idealizadores do Curso e atual coordenador, em dois momentos distintos e importantes de sua carreira profissional: o Laboratório Brasileiro de Design Industrial (LBDI) em Florianópolis e o Mestrado Profissionalizante no Istituto Europeo di Design de Milão na Itália. Mas o que há em comum entre estes dois espaços de produção projetual: a estreita colaboração entre a indústria e aqueles que produzem a cultura do projeto de produto, na concretização de uma identidade de Design própria, sem protagonismos. No caso do Design UNESC, as disciplinas de Projeto de Produto são os conectores entre o repertório acadêmico e o contexto industrial e de negócios do ecossistema local, permitindo um ambiente de experimentação e aplicação prática de design e inovação permeando uma sinergia entre as empresas e alunos durante o processo criativo. A progressão, nesta jornada de desenvolvimento pessoal e profissional, acontece do primeiro ao último semestre, não somente com a evolução da complexidade dos projetos no qual estão envolvidos como também com a diversidade de áreas de atuação no qual são oportunizados campos de experimentação em desenvolvimento de design de produto, como por exemplo, a movelaria, acessórios de moda, calçados, revestimentos cerâmicos, embalagens, acessórios e tecnologias assistivas. Estes projetos onde empresas oportunizam uma parceria em diversos campos de pesquisa e experimentação são também agentes ativos e participativos no processo de Design. Podemos citar as experiências com as empresas Ceusa, Kleiner Schein, Omnes, Coofanove, Schaefer, Malibu, La Moda, Uatt?, Blend Bryggeri, Ostec, como parcerias de sucesso com as disciplinas teórico-práticas do, onde a participação do Bacharel de Design nas demandas de negócio, transformam o agente formador em verdadeiro articulador de negócios. A portuguesa Vista Alegre, de porcelanas, oportunizou um estágio em suas instalações em Aveiro, Portugal, no setor de Design, a partir de um concurso interno para uma nova caneca icônica, permitindo deste modo uma experiência internacional: da concepção ao produto final. A proposta principal destas atividades pré-profissionais é estreitar o caminho entre o “pensar” e o “fazer” como preconizado deste o surgimento das primeiras escolas de Design, num processo mais aberto e colaborativo, onde o resultado certamente irá promover o diálogo maduro com a iniciativa privada, a qual, muitas vezes, desconhece o papel formador e crítico da academia, e os benefícios resultantes desta aproximação. Talvez, desta maneira, se construam novos caminhos para um processo inovador de desenvolvimento de produtos úteis e sustentáveis no cenário catarinense. João Rieth


JOãO RIETH/ JORNAL DIáRIO DE CRICIúMA EM 24/05/2018

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